sexta-feira, 29 de maio de 2026

O Messias Sofredor Antes de Rashi


Isaías 53 na Visão dos Rabinos Mais Antigos

Resumo: Este artigo documenta a interpretação messiânica de Isaías 53 na tradição judaica anterior ao século XII, citando fontes rabínicas antigas (Targum, Talmude, Midrashim, Zohar) que identificam o Servo Sofredor com o Messias — interpretação posteriormente deslocada para a nação de Israel por Rashi e outros, devido às perseguições da Inquisição.

A Mudança na Interpretação: De Rashi ao Contexto Histórico

“A interpretação judaica tradicional entende a passagem como uma referência ao Messias, como, é claro, fizeram os primeiros seguidores de Yeshua, que criam ser Yeshua o referido Messias. Não foi senão no século XII que surgiu a opinião de que o Servo aqui se refere à nação de Israel, opinião que se tornou dominante no Judaísmo.” (Charles C. Ryrie Th.D Ph.D, comentário sobre Isaías 52:13-53:12, Bíblia Anotada, pág. 905)

Porém, por mais de mil anos, desde que surgiu o judaísmo rabínico, A VASTA E ABSOLUTA MAIORIA DOS RABINOS CRIA QUE ESTA PASSAGEM DIZIA RESPEITO AO MESSIAS, e não ao povo de Israel. Essa interpretação começou com Rashi no século XII, diante das enormes atrocidades e extermínios que vinham sendo praticadas naquela época contra o povo judeu, pela Inquisição Católica Romana. E obviamente Rashi viu a necessidade de se desvincular esta profecia sobre o Messias, daquele messias romano a quem os católicos diziam seguir (e não seguiam), e em nome de quem suas famílias estavam sendo mortas. Para uma audiência judaica, naquela época, admitir que essa passagem se referia ao Messias, seria como assumir a culpa por sua morte. Por isso que é necessário entendermos o que levou um erudito como Rashi a FUGIR DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DE TODOS OS RABINOS ANTERIORES QUE FALAVAM QUE SE TRATAVA DO MESSIAS, E PLANTAR UMA OUTRA INTERPRETAÇÃO TOTALMENTE DESCONECTADA DE SEU CONTEXTO (Pois o mesmo Isaías que sempre acusa o povo de ser pecador, cheio de iniquidades, idólatra, adúltero e ganancioso etc., não ia abruptamente mudar seu discurso constante em seu livro, e num único capítulo começar agora chamá-lo de povo justo, sem pecado, que nunca cometeu injustiça etc.).

O contexto histórico das perseguições do século XII levou Rashi a reinterpretar Isaías 53 como referindo-se à nação de Israel, rompendo com uma tradição rabínica unânime que via ali o Messias Sofredor. A mudança foi motivada por razões apologéticas, não exegéticas.

Targum Jonathan e Midrashim Antigos

“Eis aqui o meu servo, O MESSIAS, a quem conduzo, o meu escolhido em quem minha Memra [palavra] tem prazer. Eu porei meu Espírito Santo sobre ele e ele revelará minha Lei às nações.” (Targum Jonathan em Isaías 42:1)

“Veja, meu servo, O MESSIAS há de prosperar; ele será elevado, e deve crescer e ser excessivamente forte: como a casa de Israel olhou para ele por muitos dias, porque o seu semblante se obscureceu entre os povos, e a aparência dele mais do que a dos filhos dos homens.” (Targum Jonathan em Isaías 52-53)

No Midrash Rabbah há uma explicação sobre Rute 2:14:

“Ele está falando sobre o REI, O MESSIAS: Achega-te para cá: aproxime-se do trono e coma do pão, isto se refere ao pão da realeza, e molha no vinagre o teu pedaço, isto se refere aos seus sofrimentos, como está escrito: Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades.” (Ruth Rabbah 5:6)

O Midrash Tanhuma sobre Gn 27:3, parashá Toldot 14:

Cântico das subidas: “Eu levanto os meus olhos para as montanhas.” (Sl 121:1). É bem o que está escrito: “Quem és tu, ó grande montanha, que diante de Zorobabel se tornou uma planície?” (Zc 4:7) Esta montanha é O MESSIAS Filho de Davi. E por que ele é chamado de “grande montanha?” Porque ele será maior do que os patriarcas, como se diz: O meu servo prosperará, crescerá, se levantará e será muitíssimo elevado”. (Is 52:13). Ele crescerá mais do que Abraão, se levantará mais do que Isaque, e se tornará mais alto do que Jacó.

O método midráshico empregado no comentário do texto de Zacarias é característico do gênero. Todas as palavras do texto chamam as citações que servem para explicá-lo. A interpretação messiânica do salmo passou para o Targum da passagem, com uma forma notável:

“Como és estimado diante de Zorobabel, reino estúpido? Não és como uma planície? Mas YHWH revelará o seu MESSIAS, cujo nome foi dito desde o começo, e ele dominará sobre todos os reinos. (4:7).”

O paralelo do Messias com os grandes antepassados sublima a superioridade absoluta daquele. A ligação do Messias com Davi permite dar-lhe a alcunha de ‘Anani’ (=o das nuvens), seguindo o nome do último descendente de Davi mencionado em 1 Cr 3:25, que neste ponto se apóia no comentário de Tanhuma. Mas a justificação desta alcunha se funda na interpretação messiânica de Dn 7:13, já encontrada no Apocalipse de Esdras. (Trecho retirado do livro: A esperança judaica no tempo de Yeshua, pág. 202)

As fontes mais antigas do judaísmo rabínico — Targum Jonathan, Midrash Rabbah e Midrash Tanhuma — identificam inequivocamente o Servo de Isaías 53 como o Messias, aplicando-lhe os sofrimentos e a exaltação descritos pelo profeta.

O Talmude e a Tradição dos Dois Messias

Essas citações demonstram que a designação do Messias sofredor como “filho de José” remonta ao período do Segundo Templo. Essa tradição do “Messias filho de José” e sua morte também aparece no Talmude babilônico em Sukkah 52a:

“Os rabinos ensinaram: O Messias ben David, que (como esperamos) vai aparecer em um futuro próximo, o Santo, bendito seja Ele, irá dizer-lhe: Peça-me e dar-te-ei, como está escrito [Salmos 2:7-8]: ‘Vou anunciar o decreto … Peça-me, e darei’, etc. Mas como o Messias ben David terá visto que o Messias ben Joseph, que o precedeu foi morto, ele vai dizer diante do Senhor: ‘Senhor do Universo, nada peço a Ti, senão a vida’. E o Senhor irá responder: ‘Isso já foi profetizado pelo teu pai Davi a ti, [Salmos 21:5]: ‘A vida que ele pediu a ti, tu deste a ele’” (Talmude babilônico Sukkah 52a).

No Talmude Babilônico está registrado:

“O MESSIAS – Qual é o nome dele? … Os rabinos disseram: Seu nome é o ‘estudioso leproso’, como está escrito: Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou nossas dores; e nós o reputávamos por um leproso, ferido de D´us, e oprimido.” (Sanhedrin 98b)

Nos Mistérios do Rabi Shim’on ben Yohai (Midrash), encontramos:

“E Armilaus se unirá à batalha contra o Messias, o filho de Efraim, no portão Oriental…; e o Messias, o filho de Efraim, morrerá lá, e Israel pranteará por Ele. E depois, o Santo revelará a eles o Messias, o Filho de Davi, a quem Israel vai querer apedrejar, dizendo: Tu falas falsamente, o Messias já foi morto, e não há outro Messias que se levante (após Ele); e assim o desprezarão, como está escrito: ‘Desprezado e o mais rejeitado entre os homens’; mas ele voltará e se esconderá deles, de acordo com as palavras: ‘Como um de quem os homens escondem o rosto.’”

O Talmude conecta explicitamente o “estudioso leproso” de Isaías 53 ao Messias, e a tradição dos dois Messias (ben Yosef, que sofre e morre; ben David, que reina) fornece um quadro teológico para entender o Servo Sofredor.

Testemunhos do Período do Segundo Templo

Em um livro do período do Segundo Templo: O Testamento dos Doze Patriarcas, o testamento de Benjamin liga José à figura do Servo Sofredor de Isaías 52-53. Neste testamento, Jacó disse a José: “Em você será cumprida a profecia celestial, que afirma que o imaculado será violado por homens sem Lei e o sem-pecado morrerá por causa dos homens ímpios.”

Essas citações demonstram que a designação do Messias sofredor como “filho de José” remonta ao período do Segundo Templo.

A literatura apocalíptica do Segundo Templo já aplicava Isaías 53 a uma figura messiânica sofredora, identificada como “Messias filho de José”, que precede e prepara o caminho para o Messias filho de Davi.

Comentadores Medievais Anteriores a Rashi

O rabino caraíta Yafet Ben Ali (segunda metade do século X):

“Quanto a mim, estou inclinado, juntamente com Benjamin de Nehawend, a considerá-lo como aludindo AO MESSIAS, e que se inicia com uma descrição de sua condição no exílio, desde o seu nascimento até sua ascensão ao trono: pois o profeta começa falando que Ele está sentado numa posição de grande honra e, então volta a relatar tudo o que Lhe acontecerá durante o cativeiro. […] Com as palavras ‘Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades’, querem dizer que as dores e enfermidades pelas quais ele passou eram merecidas por eles, mas que ele as suportou em seu lugar.”

O Rabino Moisés, ‘O Pregador’ (século XI) escreveu em seu comentário sobre o Gênesis (página 660):

“Desde o princípio, D´us fez uma aliança com O MESSIAS [ben Yossef] e disse-lhe: Meu justo Messias, aqueles que são confiados a você, o pecado deles te trará um jugo muito pesado para você suportar. E ele respondeu: Eu aceito de bom grado todas essas agonias, a fim de que nenhum de Israel seja perdido. Imediatamente o Messias aceitou todas as agonias com amor, como está escrito: Ele foi oprimido e afligido.”

Lekach Tov (séc. XI – Midrash), afirma:

“E que seu reino [de Israel] seja exaltado, nos dias do Messias, de quem se diz: Eis que meu servo prosperará, será exaltado e elevado, e será mui sublime.”

Yalkut Schimeon (atribuído ao Rabino Simeon Kara, no século XII) diz:

“Em Zc 4:7: O rei Messias é maior que os patriarcas, porque é dito, ‘Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime.’ (Isa. 52:13).”

Gersonides (filósofo e talmudista judeu, 1288-1344) em Deut. 18:18 diz:

“De fato, O MESSIAS é o tal profeta, como se afirma no Midrash do verso: ‘Veja! Meu Servo prosperará’ (Is 52:13) (…) Moisés, pelos milagres que fez, trouxe uma única nação à adoração de D´us, mas o Messias vai chamar todos os povos à adoração de D´us.”

Mesmo antes de Rashi (século XII), comentaristas judeus como Yafet ben Ali (caraíta), Moisés, o Pregador, e o Lekach Tov interpretavam Isaías 53 messianicamente, demonstrando que a interpretação coletiva (Israel) não era a única nem a original.

Rabinos Pós-Rashi que Mantiveram a Interpretação Messiânica

Nachmanides (Rabino Moshe ben Nachman, século XIII) afirmou:

“Supõe-se que a visão correta com relação a esta parashá venha através da frase: ‘meu servo’ que significa todo o Israel… Contudo, como opinião diferente, adota-se pelo Midrash, que isso se refere AO MESSIAS, é necessário que a expliquemos de conformidade com a nova opinião lá mantida. O profeta diz, o Messias, o Filho de Davi, sobre quem o texto fala, nunca será conquistado nem perecerá pelas mãos dos seus inimigos. […] Pelas suas pisaduras fomos sarados – por causa das pisaduras pelas quais foi humilhado e angustiado Ele nos curará; D´us nos perdoará por Sua justiça, e seremos curados tanto de nossas próprias transgressões quanto das iniqüidades de nossos pais.”

Abravanel (1437-1508) fez uma declaração que é particularmente significativa, pois segundo sua visão pessoal não era a respeito do Messias que Isaías estava falando. Quanto a Isaías 52:13 até Isaías 53:12, ele declarou:

“A primeira questão é saber a quem ele [Isaías] se refere: Os instruídos entre os nazarenos o aplicam ao homem que foi crucificado em Jerusalém, no final do segundo Templo, e que, segundo eles, era o Filho de D´us que tomou carne no seio da virgem, como se afirma em seus escritos. Mas Yonathan ben Uziel interpreta no Targum como referente ao futuro Messias. Esta é também a opinião de nossos próprios homens instruídos na maioria de seus discursos rabínicos (midrashim).”

O Rabino Moses Alschech (1508-1600) diz:

“Eu posso observar então, que os nossos rabinos de abençoada memória, à uma só voz, aceitam e afirmam a opinião de que o profeta está falando do Rei Messias. E nós também devemos aderir ao mesmo ponto de vista.”

Moshe Cohen, um rabino do século XV na Espanha, também refuta a interpretação de que a passagem é uma referência ao povo de Israel como um todo:

“Esta passagem, os comentaristas explicam, fala do cativeiro de Israel, embora o número singular seja utilizado por toda parte. Outros têm suposto que signifique o justo neste mundo atual, que agora são esmagados e oprimidos […] mas estes também, pela mesma razão, alteram o número, retiram os versos de seu significado natural. E, então parece-me que tendo rejeitado o conhecimento dos nossos mestres, inclinaram-se ‘após a teimosia de seus próprios corações’, e em minha própria opinião, eu tenho o prazer de interpretá-la de acordo com o ensinamento de nossos rabinos sobre o Rei Messias.”

O Rabi Eliyahu de Vidas (séc. XVI) escreveu:

“Diz-se no Tanna Devei Eliyahu, que durante os treze anos em que R. Shimon ben Yohai esteve preso na caverna, as profundezas da sabedoria foram reveladas a ele, e ele alcançou o conhecimento do futuro. Em particular, ele aprendeu que o homem que tenha cometido iniqüidades deve sofrer por elas, e que não é digno de entrar na luz celestial […] se primeiro não machucar-se e esmagar-se. E é o que está escrito: Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e esmagado pelas nossas iniqüidades, o significado disso é que uma vez que O MESSIAS carrega nossas iniqüidades, as quais produzem o efeito de seu machucado, segue-se que aquele que não admitir que o Messias sofra assim por nossas iniqüidades, deve suportá-las e sofrê-las ele mesmo.”

Naftali ben Asher Altschuler diz:

“A enfermidade que deveria ter caído sobre nós, foi carregada por ele. Isso significa que, quando o Messias ben Yosef morrer entre as portas, e for uma maravilha aos olhos da criação, por que a pena que ele tem que carregar deve ser tão severa? Qual é o seu pecado, e qual é a sua transgressão, exceto que ele vai suportar os castigos de Israel, de acordo com as palavras ‘ferido de D´us’?” (Is. 53:4)

Moisés Alshekh diz:

“Eu vou fazer ainda uma terceira coisa, a qual é que eles devem olhar para mim (Zc 12,10), porque eles levantarão seus olhos para mim em arrependimento perfeito, quando virem aquele a quem transpassaram, isto é, o Messias ben Yosef. Porque os nossos rabinos, de abençoada memória, disseram que ele tomará sobre si a culpa de Israel, e deve, então, ser morto na guerra para fazer expiação, de tal maneira que seja considerado como se Israel lhe tivesse perfurado.”

Nachmanides, Abravanel, Alschech, Moshe Cohen, Eliyahu de Vidas e outros rabinos dos séculos XIII ao XVI — mesmo depois de Rashi — mantiveram a interpretação messiânica de Isaías 53, reconhecendo que a tradição rabínica antiga era unânime nesse ponto.

O Zohar, a Pesikta e a Oração de Yom Kippur

Zohar – Palácio dos filhos da enfermidade:

“Quando eles contam ao Messias sobre o sofrimento de Israel no exílio, e sobre os ímpios entre eles, que não se preocupam em conhecer o seu Mestre, ele levanta sua voz e chora pelos ímpios entre eles, como está escrito: ‘Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades’ (Isaías 53:5). As almas retornam aos seus lugares. No Jardim do Éden há um palácio chamado de Palácio dos filhos da enfermidade. O Messias entra nesse Palácio, e ordena que todas as doenças, dores e agonias de Israel venham sobre ele. E todas elas caem sobre ele. Se não fosse por ele, que alivia as dores de Israel e as toma sobre si próprio, ninguém teria sido capaz de suportar os castigos de Israel pelas transgressões da Torá. Este é o significado de ‘ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si.’” (Zohar, Parashá Vayiakhel 335-336)

No Midrash Siphre, encontramos o seguinte:

“O Rabino José Galileu disse: Vem aprender os méritos do Rei Messias e a recompensa dos justos. Desde que o primeiro homem [Adão] recebeu o mandamento, uma única proibição e transgrediu – considere quantas mortes foram infligidas sobre si mesmo, em sua própria geração e sobre aquelas [gerações] que as seguiram, até o fim de todas as gerações. Qual atributo é maior: o atributo da bondade ou o atributo da vingança? Ele respondeu: O atributo da bondade é o maior, e o atributo da vingança é menor. Quanto maior, então, será o Rei Messias, que resiste aflições e dores (como está escrito: ‘Ele foi ferido e humilhado’) para justificar os transgressores de todas as gerações! E isso é o que se entende quando se lê: ‘Mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.’ (Isa.53:6).”

No Machzor (livro de rezas das grandes festas) no Musaf de Yom Kippur existe uma oração escrita pelo Rabino Eliezer ben Kalir no século IX que fala do sofrimento e do retorno do Messias. Veja:

“Nosso Messias, o justo, apartou-se de nós: o horror nos apreendeu e não temos ninguém para nos justificar. Ele carregou sobre si as nossas iniqüidades e o jugo de nossas transgressões, e ele foi traspassado por causa das nossas transgressões. Suportou nossos pecados em cima de seus ombros para que nós pudéssemos encontrar o perdão para nossas iniqüidades. E nós seremos curados por suas feridas, no momento em que o Eterno o recriar como uma nova criatura. Oh! Elevai-o do círculo da terra. Erguei-o de Seir, para ajuntar-nos uma segunda vez sobre o Monte Líbano, pela mão de Yinnon.”

O Zohar descreve o Messias entrando no “Palácio dos filhos da enfermidade” e tomando sobre si todas as dores de Israel. A oração ‘Az Milifnei V’resheet’ no Machzor de Yom Kippur, escrita no século IX, aplica Isaías 53 diretamente ao Messias sofredor que morre e é “recriado como uma nova criatura”.

Conclusão

A documentação apresentada demonstra que, por mais de mil anos, a interpretação majoritária do judaísmo rabínico identificava o Servo de Isaías 53 como o Messias. Fontes antigas — Targum Jonathan (século I-II), Midrash Rabbah, Midrash Tanhuma, Talmude (Sanhedrin 98b, Sukkah 52a) — são unânimes nessa aplicação. A literatura do período do Segundo Templo (Testamento dos Doze Patriarcas) já conectava a figura do Messias sofredor (“filho de José”) à descrição de Isaías 53.

Rashi, no século XII, diante das perseguições da Inquisição e da necessidade de distanciar o messianismo judaico da figura de Yeshua (usada pelos perseguidores), inovou ao reinterpretar a passagem como referindo-se à nação de Israel — uma interpretação que rompeu com a tradição anterior. Contudo, mesmo após Rashi, muitos comentaristas de peso (Nachmanides, Abravanel, Alschech, Moshe Cohen, Eliyahu de Vidas, Naftali Altschuler, Moisés Alshekh) mantiveram a interpretação messiânica, reconhecendo que esta era a posição dos rabinos antigos.

O Zohar, a Pesikta Rabbati e a oração de Yom Kippur do século IX testemunham ainda a persistência dessa tradição. A evidência histórica e textual é clara: a interpretação coletiva (Israel como Servo Sofredor) é uma inovação tardia, motivada por circunstâncias históricas adversas, não pelo sentido original do texto hebraico. A interpretação messiânica de Isaías 53 é, portanto, a mais antiga, a mais consistente com o contexto literário de Isaías (que constantemente acusa Israel de pecado, não o descreve como “justo” e “sem iniqüidade”), e a que estava viva no tempo de Yeshua e dos apóstolos.

Vocabulário Técnico

  • Servo Sofredor (Eved HaShem, עבד ה׳): Figura descrita em Isaías 52:13–53:12, que sofre e morre pelos pecados do povo.
  • Targum Jonathan: Tradução aramaica dos Profetas (Nevi’im), atribuída a Jonathan ben Uziel (século I EC).
  • Midrash Rabbah: Compilação de interpretações homiléticas sobre a Torá e os Cinco Rolos.
  • Midrash Tanhuma: Midrash agádico sobre a Torá, atribuído a Tanhuma bar Abba (século V).
  • Messias ben Yosef / ben David: Tradição rabínica dos dois Messias: o primeiro sofredor (Yosef) e o segundo rei guerreiro (David).
  • Mashiach (משיח): “Ungido”; o Messias esperado pelo judaísmo.
  • Rashi: Rabino Shlomo Yitzchaki (1040-1105), principal comentarista da Torá e do Talmude.
  • Nachmanides (Ramban): Rabino Moshe ben Nachman (1194-1270), filósofo, cabalista e comentarista bíblico.
  • Abravanel (Abarbanel): Dom Isaac ben Judah Abravanel (1437-1508), comentarista bíblico e líder judeu espanhol.
  • Alschech (Moisés Alschech): Rabino e comentarista bíblico do século XVI, ativo em Safed.
  • Zohar (זהר): Obra fundamental da Cabalá, atribuída a Rabino Shimon bar Yochai (século II).
  • Pesikta Rabbati: Compilação de drashot (sermões) para as festas e ocasiões especiais.
  • Machzor (מחזור): Livro de orações para as Grandes Festas (Rosh HaShaná, Yom Kippur, etc.).
  • ‘Az Milifnei V’resheet: Oração medieval sobre o Messias sofredor, recitada no Musaf de Yom Kippur.
  • Yeshua (ישוע): Forma hebraica do nome conhecido em português como “Jesus”.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

A Imagem do Imperador e a Moeda de Fogo


Ki Tissa: A Imagem do Imperador

Resumo: Este artigo examina a conexão entre o Meio-Shekel da parashat Ki Tissa (Êxodo 30) e o episódio do tributo a César nos Evangelhos, explorando o conceito de que todo ser humano carrega a imagem divina e deve entregar-se integralmente a D´us, como ensinado na Shemá.

O Meio-Shekel de Fogo

Na Parashat Ki Tissa (Êxodo 30:11–34:35), um censo é realizado por meio do sagrado Meio-Shekel. Independentemente de ser rico ou pobre, todos eram obrigados a dar, destacando a ideia de que independentemente do status, cada pessoa é valorizada igualmente aos olhos de HaShem. De acordo com Rashi, a prata desses Meio-Shekel foi usada para criar as bases de prata no Tabernáculo. Hoje, o moderno estado de Israel usa a palavra “shekel” como a palavra para sua moeda, mas originalmente a palavra na verdade descrevia um peso. As próprias moedas não foram introduzidas como moeda até cerca de 700 AC. Curiosamente, os Sábios ensinam que Moshe não tinha certeza do que HaShem queria dizer com “Meio-Shekel”. O Midrash adiciona um detalhe fascinante,

“R. Meir expôs: O Santo, bendito seja Ele, pegou o que parecia uma moeda de fogo debaixo do Trono da Glória e mostrou a Moisés, ‘Isto eles darão’, ou seja, eles darão uma moeda semelhante a esta. ”

Numbers Rabbah 12:3, Soncino Press Edition [1]

De acordo com o Midrash, Moshe ficou “surpreso” com a ideia de que alguém poderia resgatar sua alma através desta oferta da moeda, então como um auxílio visual, HaShem mostrou a ele uma moeda de fogo. Qual era a conexão secreta entre a alma e a moeda de fogo?

O Meio-Shekel, apresentado como uma moeda de fogo celestial, estabelece o princípio da igualdade perante D´us e conecta a oferta material ao resgate da alma — uma imagem que será retomada no episódio do tributo a César.

A Praga dos Fariseus

Avance rapidamente da época de Moshe para a era do Segundo Templo. Os Evangelhos Sinópticos registram que alguns discípulos dos fariseus tentaram prender Yeshua de Nazaré com suas palavras. É importante notar que os fariseus contaram com a ajuda dos herodianos. De acordo com a Enciclopédia Judaica, eles podem ter feito parte ou estar intimamente alinhados com os saduceus em sua oposição aos fariseus. Os herodianos eram chamados pelos rabinos de “boetusianos”. Qual foi o propósito de sua presença nesta pergunta a Yeshua? A conta é a seguinte,

“Então os fariseus foram e aconselharam-se sobre como poderiam prendê-lo em seu discurso. Eles enviaram seus discípulos a ele, junto com os herodianos, dizendo: ‘Rabino, sabemos que você é honesto e ensina o caminho de D´us de verdade, não importa a quem você ensine, pois você não é parcial a ninguém. Diga-nos, portanto, o que você acha? É legal pagar impostos a César ou não?’ Mas Yeshua percebeu a maldade deles e disse: ‘Por que vocês me testam, seus hipócritas? Mostre-me o dinheiro dos impostos.’ Eles trouxeram para ele um denário. Ele perguntou a eles: ‘De quem é esta imagem e inscrição?’ Disseram-lhe: ‘César’. Então ele disse a eles: ‘Dê, portanto, a César as coisas que são de César, e a D´us as coisas que são de D´us.’ Quando ouviram isso, maravilharam-se e o deixaram e foram embora.”

Mateus 22:15-22 [2]

Observe as palavras introdutórias dos fariseus,

“Professor, nós sabemos que você […] ensina o caminho de D´us de verdade, nem se preocupe com ninguém, pois você não considera o status social dos homens.”

Eles começam a “louvar” Yeshua por seu destemor em pregar a verdade, apesar de quem possa ofender, e intencionalmente destacam o fato de que ele não tem medo de falar na frente de ninguém, independentemente de seu status financeiro, religioso ou político. Isso foi dito porque os herodianos estavam presentes, que foram deliberadamente incluídos nesta disputa para que pudessem “testemunhar” Sua resposta à sua pergunta capciosa. Os herodianos teriam sido rápidos em informar Herodes sobre a menor palavra falada contra César, superficialmente evitando que esses fariseus fossem classificados como moserim, “informantes”, que foram categorizados junto com pagãos, judeus não religiosos e minim (hereges). A Enciclopédia Judaica observa,

“Nada foi punido mais severamente pelos judeus do que boatos; e ninguém foi considerado com maior desprezo do que o informante. Por causa do fato de que seus atos freqüentemente causavam danos e até mesmo acarretavam morte e destruição, os sábios do Talmud compararam o ‘moser’ a uma serpente.”

Enciclopédia Judaica em Moser [3]

Infelizmente, interpretações errôneas de passagens semelhantes fizeram com que a palavra “fariseu” tivesse uma conotação negativa hoje, especialmente no cristianismo. Muitos dicionários hoje, depois de definir o significado histórico, dão o seguinte significado: “Uma pessoa hipócrita ou hipócrita”. Muitas vezes, as fronteiras entre fariseu e saduceu são confundidas em um grupo. É importante notar que os saduceus corruptos controlavam o sacerdócio e o templo, ensinavam contra a ressurreição dos mortos e eram diametralmente opostos aos fariseus. Os fariseus representavam o povo, ensinavam a teologia correta sobre a Torá e são os ancestrais daqueles que escreveram a Mishná e o Talmude. No entanto, é importante notar que mesmo os fariseus falaram de uma “praga” dentro de seu grupo, definindo sete tipos de seu número,

“E A PRAGA DOS FARISEUS, etc. Nossos Rabinos ensinaram: Existem sete tipos de Pharivê: 1) o fariseu shikmi, 2) o fariseu nikpi, 3) o fariseu kizai, 4) o fariseu de pilão, 5) o fariseu [que exclama constantemente] ‘Qual é o meu dever para que eu o cumpra?’, 6) o fariseu por amor [de D´us] e 7) o fariseu por medo.”

Sotah 22b, Soncino Press Edition

Apenas o fariseu do amor e o fariseu do medo são listados como meritórios. O fariseu por amor, entretanto, supera aquele que observa a Torá por medo.

A distinção entre os sete tipos de fariseus mostra que o judaísmo rabínico já criticava internamente a hipocrisia religiosa. Yeshua confrontou especificamente aqueles que usavam a religião para fins políticos e de controle, não o fariseísmo autêntico.

Chassidut e a Decadência Espiritual

R’ Samuel Dresner descreve a condição de Israel na Diáspora Europeia anterior ao movimento Chassídico como equivalente à Era do Segundo Templo. Ele escreve sobre R’ Yaakov Yosef, um dos discípulos mais proeminentes do Baal Shem Tov, R’ Israel ben Eliezer (1698-1760 EC),

“Outra evidência de decadência interna foi o declínio desastroso do estudo da Torá, que anteriormente caracterizou os judeus poloneses como sua glória, especialmente nas áreas onde a destruição de vidas e propriedades foi pior durante as guerras e pogroms do século XVII. A natureza da literatura religiosa agora havia mudado; abundou em controvérsias infrutíferas. Casos de sutilezas mesquinhas ocuparam o tempo e as penas dos rabinos, com exclusão das necessidades e problemas legítimos do povo … R’ Yaakov Yosef - que morreu em 1782 - estava bem ciente do sofrimento físico de seu povo … Mas ele sofreu infinitamente mais pela privação espiritual: sentiu cada vez mais intensamente a falta de interioridade prevalecente na observância das mitzvot, o uso do estudo da Torá para fins de exibição, as brigas entre as pessoas, a falta de unidade entre as pessoas e o líder e entre os próprios líderes, a corrupção por parte dos funcionários nomeados que ‘compraram’ suas nomeações, a indiferença dos rabinos e o desprezo com que tratavam o povo. Ele entendeu o problema como seu tempo essencialmente interior, espiritual … O que mais o afligiu foi uma crise do espírito - a condição espiritual das pessoas …”

R’ Samuel Dresner, The Zaddik, Shocken Books, páginas 28-29, 35

Antes do grande Baal Shem Tov, houve Yeshua de Nazaré. O movimento de Yeshua foi o primeiro movimento chassídico real. Como os chassidim depois dele, Yeshua experimentou intensa oposição da “praga” dos fariseus. Essa disputa em particular teve um impacto imenso sobre a multidão. Todos ficaram maravilhados com as palavras e, de fato, lendo o texto por si só, sua resposta é bastante brilhante. No entanto, ao conhecer o contexto judaico de suas palavras, sua resposta é mais do que brilhante, deixando alguém estupefato, sem palavras, como aqueles que tentaram prendê-lo.

Yeshua é apresentado como um precursor do movimento chassídico, enfatizando a interioridade e o amor a D´us acima da observância externa e hipócrita. A oposição que enfrentou veio de uma elite religiosa que havia perdido de vista o “primeiro princípio”.

Uma Rocha e um Lugar Difícil

Se Yeshua falasse algo contra o tributo pago a César, isso seria considerado uma insurreição contra Roma. Ao pagar impostos, reconhece-se a autoridade governamental a quem é prestado o tributo. Negar o poder do governo de cobrar impostos solapa a base de sua autoridade legal. A interferência romana em Eretz Yisrael começou sob Pompeu em 63 AC. Por volta da época do nascimento de Yeshua, um censo foi conduzido por Roma [4], o que era contrário à forma como a Torá instrui Israel a conduzir um censo (que é por meio do Santo Meio Shekel). Em 6 dC, após a eliminação do filho de Herodes, Arquelau por Roma, começou a ocupação direta da terra,

“… o imperador decidiu impor o domínio romano direto à Judéia, que agora foi declarada uma província do império. Quirino, o governador da Síria, foi enviado para o sul em 6 dC para realizar um censo para fins fiscais (anteriormente a tributação ia diretamente para Herodes) e o primeiro praefectus foi nomeado. Era um negócio complicado. Um Judá de Gamala liderou a resistência à intrusão romana e seus seguidores foram crucificados ao longo das estradas da nova província.”

A New History of Early Christianity, Charles Freeman, Yale University Press, pg. 4

A situação culminou na revolta contra Roma, que levou à destruição do Templo e ao exílio de Israel. No entanto, as apostas seriam altas se a resposta de Yeshua afirmasse a autoridade de Roma para realizar censos e coletar impostos. Ele teria violado a Torá, negado que a terra de Israel pertencesse ao povo judeu e, por fim, rejeitado a restauração do Reino de Davi. Todos os seguidores de Yeshua, que desejavam apaixonadamente ver o Trono de Davi restaurado em Israel, teriam sido esmagados se ele tivesse se aliado a Roma e negado um preceito fundamental da Torá. Por outro lado, se ele tivesse negado o direito de César de coletar impostos, como os fariseus esperavam, os membros do partido político de Herodes teriam corrido imediatamente e contado a Herodes, que, por sua vez, teria informado César sobre a promoção da insurreição de Yeshua. Isso inevitavelmente levaria à sua prisão e possível execução por sedição. Este é o melhor “lugar difícil e rochoso”. O jovem rabino pediu a moeda como um auxílio visual para sua próxima resposta,

“Mostre-me o dinheiro dos impostos.” Então, eles trouxeram para ele um denário. E ele disse a eles: “De quem é esta imagem e inscrição?” Disseram-lhe: “César”. [5]

O dilema criado pelos fariseus e herodianos era uma armadilha perfeita: qualquer resposta direta incriminaria Yeshua perante Roma ou perante o povo judeu. Sua genialidade foi desviar a questão para o princípio mais profundo da imagem divina.

Uma Moeda de Prata: O Denário de Tibério

Que moeda foi essa? O que isso se parece? É possível que a moeda que eles trouxeram fosse o Pontif Maxim:

“Tibério foi imperador por 23 anos e é representado por dois denários. Depois de 15 dC, todos os denários de Tibério eram do mesmo tipo: PONTIF MAXIM em torno de uma figura feminina sentada. Um grande número dessas moedas foi produzido; muitos milhares deles ainda existem hoje.”

Doug Smith, Tiberius: The Tribute Penny [6]

Porém, havia muitos denários circulando nessa época, portanto,

“… não há nenhuma evidência real de que Yeshua viu essa moeda. Os denários em circulação naquele dia (mais de quinze anos após o reinado de Tibério) teriam incluído uma grande mistura de tipos republicanos e um grande número dos tipos comuns de César Augusto. […] A finalidade da moeda, neste caso, poderia ter sido satisfeita por qualquer denário republicano com uma cabeça e inscrição em latim. O fato de os colecionadores de moedas terem se decidido por essa única moeda como O ‘Penny do Tributo’ é mais uma convenção do que um fato histórico. É, no entanto, bastante provável que este tipo estivesse entre os denários mais comuns em circulação no início dos anos 30 dC e mostra o imperador que reinou na época do ministério de Yeshua Hamashiach.”

Doug Smith, Tiberius: The Tribute Penny [6]

Independentemente da moeda específica, o ponto central era a imagem e a inscrição de César — símbolo da autoridade imperial. Yeshua usou esse objeto físico para ensinar uma lição sobre lealdades concorrentes.

Uma Moeda de Fogo: O Selo Divino na Humanidade

Confiante de que haviam pintado o Grande Mestre em um beco sem saída inescapável, Yeshua responde à trama traiçoeira com palavras que ecoaram por milênios:

“Mostre-me o dinheiro dos impostos”. Então, eles trouxeram para ele um denário. E Ele disse a eles: “De quem é esta imagem e inscrição?” Eles disseram a Ele: “César.” E Ele disse a eles: “Então dê a César o que é de César, e a D´us o que é de D´us.” Quando eles ouviram essas palavras, eles ficaram maravilhados e o deixaram e seguiram seu caminho.” O pano de fundo teológico de sua resposta aprofunda a resposta do Rabino e revela profundidades e significados desconhecidos para Suas palavras incríveis. A Mishná diz,

“Pois uma pessoa cunha muitas moedas com um único selo, e todas são iguais umas às outras. Mas o Rei dos reis, o Santo, bendito seja Ele, cunhou todos os seres humanos com aquele selo seu com o qual ele fez a primeira pessoa, mas nenhum deles é como qualquer outro. Portanto, todos são obrigados a manter, ‘Por minha conta, o mundo foi criado.’”

Mishná, Sinédrio 4:5

Filo de Alexandria, um estudioso judeu da época de Yeshua, conhecido por suas interpretações platônicas e alegóricas da Bíblia, faz um comentário semelhante,

“… o grande Moisés não nomeou a espécie da alma racional por um título semelhante ao de qualquer ser criado, mas a declarou uma imagem do ser divino e invisível, tornando-a uma moeda como se fosse de metal esterlino, estampada e impressa com o selo de D´us, a impressão de que é a palavra eterna.”

Philo, a respeito do trabalho de Noah como Planter, Seção V, traduzido por C.D. Yonge

O professor Brad H. Young comenta,

“Talvez esses conceitos teológicos sirvam de pano de fundo para a declaração de Yeshua: ‘Então, dê a César as coisas que são de César, e a D´us as coisas que são de D´us.’ Afinal, não apenas a imagem de César está estampada em cada moeda que ele cunhou; a imagem divina do Rei dos reis está estampada em cada pessoa. Yeshua estava conclamando o povo a dar tudo a D´us, o Criador de todo ser humano.”

Brad H. Young, As Parábolas, Tradição Judaica e Interpretação Cristã, Hendrickson Publishers, pg. 10

Esse entendimento amplifica as palavras incríveis de Yeshua. Dê ao rei terreno sua imagem e dê ao Rei celestial Sua imagem, isto é, vocês mesmos, todo o seu ser e tudo o que está dentro de vocês. Em Pirkei Avot, diz:

רבי אלעזר איש ברתותא אומר: תן לו משלו, שאתה ושלך שלו. וכן בדוד הוא אומר (דברי הימים א כט) כי ממך הכל ומידך נתנו לך

“Rabino Elazar de Bartosa dizia: Dê a Ele o que é Dele, para você, e tudo o que é seu, é Dele. Como diz Davi: ‘Porque tudo vem de Ti, e da Tua mão Te damos’ (I Crônicas 29:14).”

Pirkei Avot 3:7, citado em Chabad.org [7]

Isso também nos revela o valor de cada pessoa, e como todos são iguais perante HaShem. No Evangelho de Lucas, Yeshua dá a parábola da moeda perdida,

“… Que mulher, se ela tivesse dez moedas de dracma, se ela perdesse uma moeda de dracma, não acenderia uma lamparina, varreria a casa e procuraria diligentemente até que ela a encontrasse? Quando ela o encontra, ela reúne seus amigos e vizinhos, dizendo: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei o dracma que havia perdido.’ Mesmo assim, eu lhe digo, há alegria na presença dos anjos de D´us pelo arrependimento de um pecador.”

Lucas 15:8-10

Quando um jovem governante rico veio a Yeshua e perguntou-lhe: “Qual é a maior mitsvá (mandamento)?” A resposta de Yeshua a ele foi, em essência, a mesma que foi aos herodianos e fariseus: Dê a HaShem todo o seu ser, que é a moeda real, e é o próprio cumprimento da Sh’ma:

שְׁמַע יִשְׂרָאֵל יי אֱלֹקֵינוּ יי אֶחָֽד׃
וְאָהַבְתָּ אֵת יי אֱלֹקֶיךָ בְּכָל־לְבָבְךָ וּבְכָל־נַפְשְׁךָ וּבְכָל־מְאֹדֶֽךָ

“Ouve, ó Israel, HaShem, nosso D´us, HaShem é Um. E você amará HaShem seu D´us com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças.”

Deuteronômio 6:4-5

Yeshua não ensinou uma separação entre esfera secular e religiosa, mas sim que tudo pertence a D´us — inclusive a moeda que carrega a imagem de César. A verdadeira “moeda de fogo” é o ser humano, criado à imagem divina, que deve ser devolvido integralmente ao Criador através do amor expresso na Shemá.

Conclusão

O Meio-Shekel de fogo mostrado a Moshe no Sinai prefigura a verdadeira moeda celestial: a alma humana cunhada com a imagem do Rei dos reis. Milênios depois, Yeshua utilizou a armadilha dos fariseus e herodianos sobre o tributo a César para revelar um princípio muito mais profundo: assim como a moeda de prata devolvia ao imperador sua imagem e inscrição, o ser humano deve devolver a D´us aquilo que carrega Sua imagem — ou seja, a própria vida, o coração, a alma e as forças. A resposta de Yeshua não foi um subterfúgio político, mas uma convocação à entrega total ao Criador, ecoando o ensino do Pirkei Avot (“dê a Ele o que é Dele, pois você e tudo o que é seu pertencem a Ele”). A verdadeira resistência ao império não era negar o tributo, mas reconhecer que toda autoridade terrena é limitada e que a lealdade última é devida a HaShem. Ao dar a César o que era de César (a moeda com sua imagem), Yeshua ensinou que o crente deve dar a D´us o que é de D´us: a própria pessoa, criada à Sua imagem. Este é o cumprimento da Shemá e o núcleo do movimento chassídico inaugurado por Yeshua — um retorno ao “primeiro princípio”: amar a D´us com todo o coração, alma e força.

Vocabulário Técnico

  • Ki Tissa (כי תשא): Nome da parashat semanal que significa “Quando você levantar”; abrange Êxodo 30:11–34:35.
  • Meio-Shekel (מחצית השקל): Oferta obrigatória de meio shekel para o censo e para as bases do Tabernáculo.
  • Moshe Rabbeinu: Moisés, nosso mestre.
  • Midrash (מדרש): Método de interpretação bíblica e compilação de ensinos rabínicos.
  • Fariseus (Perushim, פרושים): Grupo religioso judaico que enfatizava a Torá oral e a ressurreição; ancestrais dos rabinos.
  • Herodianos: Partido político aliado à dinastia de Herodes e a Roma; mencionados nos Evangelhos.
  • Moser (מוסר): Informante; considerado gravemente pecaminoso na tradição judaica.
  • Chassidut (חסידות): Movimento de piedade e renovação espiritual fundado pelo Baal Shem Tov no século XVIII.
  • Baal Shem Tov: Rabino Israel ben Eliezer (1698-1760), fundador do movimento chassídico.
  • Denário: Moeda de prata romana que trazia a imagem e inscrição do imperador.
  • Pirkei Avot (פרקי אבות): “Ética dos Pais”; tratado da Mishná com ensinos éticos.
  • Yeshua (ישוע): Forma hebraica do nome conhecido em português como “Jesus”.
  • HaShem (השם): Literalmente “o Nome”; forma reverente de se referir a D´us.
  • Shemá (שמע): Oração central do judaísmo (Deuteronômio 6:4-9), afirmando a unidade de D´us e o mandamento de amá-Lo integralmente.

O Arrebatamento Secreto


O Engano do Arrebatamento Secreto

Resumo: Este artigo examina criticamente a doutrina do arrebatamento secreto pré-tribulação à luz de quatro passagens bíblicas (1 Tessalonicenses 4, Mateus 24, 1 Coríntios 15 e Apocalipse 20), concluindo que a reunião dos santos ocorre após a tribulação, ao som da última trombeta, na segunda vinda de Yeshua.

A Doutrina do Arrebatamento Secreto

Você acredita que Yeshua vai salvá-lo do iminente e terrível tempo de problemas mundiais levando-o para o céu através de um rapto secreto?

O que você faria se Ele não fizer isso?

Imagine aviões sem pilotos caindo do céu, carros sem motoristas se chocando com outros e aquelas pessoas que foram “deixadas para trás” procurando ansiosamente seus entes queridos desaparecidos, como mostrado em um recente filme.

Muitos afirmam que isso vai acontecer—mas essa ideia de “arrebatamento secreto” é bíblica?

Muitas pessoas que creem na Bíblia entendem que estamos nos aproximando de um tempo de guerra generalizada, de epidemias de doenças e calamidades naturais. Tudo isso vai levar ao que a profecia bíblica chama de a Grande Tribulação, seguida pelas terríveis calamidades do Dia do Eterno.

O livro das Revelação (Apocalipse) diz que, nesse tempo do fim, sete anjos vão tocar sucessivamente sete trombetas, cada uma anunciando grandes eventos durante esse tempo e que levará ao retorno de Yeshua como o Rei dos Reis (Apocalipse 8-9; 11:15).

Alguns acreditam que serão poupados dessas calamidades mundiais por meio de um arrebatamento secreto — creem que isso vai ocorrer, dependendo em quem você pergunte, três anos e meio ou sete anos ou alguns meses antes do retorno de Yeshua.

Segundo essa doutrina do arrebatamento secreto — ou arrebatamento pré-tribulação — Yeshua vem para levar os seus seguidores em segurança para o céu, antes de começar os anos de tribulação.

E você? Você também espera ouvir o soar de uma trombeta e imediatamente subir ao encontro de Yeshua nas nuvens — antes das grandes calamidades do fim dos tempos?

Por outro lado, não seria desolador quando essas coisas começarem a acontecer e você e outras pessoas não forem arrebatadas? Provavelmente, isso poderia comprometer toda a sua fé e crença em D´us!

Portanto, temos de perguntar: O que realmente a Bíblia ensina sobre o arrebatamento? Vamos explorar quatro passagens bíblicas para ver se a Bíblia responde a essa pergunta: O arrebatamento secreto é verdade?

A história do arrebatamento pré-tribulação é fascinante, por isso é fácil entender por que as pessoas querem acreditar nela. No entanto, quando buscamos nas Escrituras e captamos corretamente o sentido das sete trombetas, veremos que o ensinamento popular do arrebatamento secreto não se encaixa com o que D´us nos diz na Bíblia.

A doutrina do arrebatamento secreto pré-tribulação é popular, mas precisa ser testada à luz das Escrituras. As passagens bíblicas que mencionam trombetas e a reunião dos santos devem ser examinadas em seu contexto original.

1 Tessalonicenses 4: Arrebatados ao som da trombeta?

Sem dúvida, se você acredita no arrebatamento secreto, então pode estar dizendo: “Esse artigo está errado. Haul Hashaliach (apóstolo Paulo) menciona o arrebatamento secreto na Bíblia em 1 Tessalonicenses”.

Vamos analisar essa passagem. Em 1 Tessalonicenses 4:13-17, no primeiro século, Paulo escreve para a Kahal (igreja) de Tessalônica:

“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.

Vemos aqui Shaul mencionando que as pessoas mortas ‘dormem’ e não estão no céu como muitos acham.

Porque, se cremos que Yeshua morreu e ressuscitou, assim também aos que em Yeshua dormem D´us os tornará a trazer com ele.

Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Eterno: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Yeshua não precederemos os que dormem.

Porque o mesmo Senhor (Yeshua) descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de D´us; e os que morreram em Yeshua ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados JUNTAMENTE com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor (Yeshua) nos ares, e assim estaremos sempre com ele”.

Esta é a passagem predominante usada para apoiar o ensinamento do arrebatamento secreto — a palavra traduzida como “arrebatados” no versículo 17 poderia ser traduzida por “raptado”, “transladado”, “levado”, uma vez que “arrebatado” significa simplesmente “pego de surpresa”.

Mas o contexto na doutrina do arrebatamento pré-tribulação está totalmente errado. Veja aqui como a trombeta é mencionada. Para compreender corretamente esta passagem devemos compará-la com outras três passagens do Novo Testamento, que descrevem os mesmos eventos.

1 Tessalonicenses 4 descreve a descida de Yeshua com a trombeta de D´us, a ressurreição dos mortos e o arrebatamento dos vivos juntamente com eles. Nada nesta passagem indica que isso ocorre antes da tribulação; ao contrário, outros textos mostram que esse evento acontece na última trombeta, após a aflição.

Mateus 24: A Reunião dos Escolhidos Depois da Tribulação

Agora vamos ver o que Yeshua ensinou sobre a Sua segunda vinda e a reunião dos santos na famosa profecia do Monte das Oliveiras, chamada assim porque foi dada nesse lugar ao redor de Jerusalém (Mateus 24-25; Marcos 13; Lucas 21).

Muitas pessoas vão dizer-lhe que o arrebatamento e a segunda vinda de Yeshua são dois eventos distintos e separados em diferentes tempos. No entanto, a Bíblia revela onde está o erro nesse ensinamento. Os seguidores de Yeshua serão salvos, mas não da maneira comumente descrita na doutrina do arrebatamento secreto.

Aqui está o que Yeshua disse, conforme registrado em Mateus 24:29-31 (OBSERVE MUITO BEM A ORDEM E SEQUÊNCIA DOS EVENTOS):

“E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.” (note que ‘DEPOIS’ significa depois)

“ENTÃO, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos [ou povo escolhido, os verdadeiros seguidores que obedeceram] desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”.

Alguns diriam que isso se aplica apenas aos convertidos durante esse período de tribulação — e não aos crentes, supostamente arrebatados antes da tribulação.

Contudo, logo vamos ver em outras passagens que todos os crentes que morreram e os que estiverem vivos no retorno de Yeshua vão subir JUNTOS na ressurreição à vida eterna, apenas com um breve momento separando estes dois grupos. As escrituras não mostram outro grupo ressuscitando para a imortalidade em um tempo antes disso.

Há muita semelhança entre o que Yeshua ensinou na Profecia do Monte das Oliveiras e o que Paulo escreveu em 1 Tessalonicenses. Lembre-se que nesta passagem Paulo escreveu que aqueles que estivessem vivos no momento da segunda vinda de Yeshua não iriam ascender antes daqueles que morreram na fé, porque os mortos em Yeshua ressuscitarão primeiro.

Vimos também que, na Profecia do Monte das Oliveiras, Yeshua falou sobre o ajuntamento de Seus seguidores desde os “quatro ventos”, ou seja, em todo o globo terrestre, DEPOIS da tribulação.

Será que as passagens de 1 Tessalonicenses e da profecia do Monte das Oliveiras não descrevem os mesmos eventos? O assunto deve estar mais claro agora — mas vamos analisar mais duas passagens para nos ajudar a montar as peças desse quebra-cabeça.

Yeshua declara explicitamente que a reunião dos escolhidos ocorre “logo depois da aflição daqueles dias”, com o envio de anjos ao som de trombeta. Isso contradiz diretamente a ideia de um arrebatamento secreto antes da tribulação.

1 Coríntios 15: A Última Trombeta

A terceira passagem que veremos também foi escrita pelo apóstolo Paulo — 1 Coríntios 15:50-53:

“E, agora, digo isto, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o Reino de D´us, nem a corrupção herdar a incorrupção.

Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.

Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade”.

Observe que isso ocorre na ÚLTIMA TROMBETA. As peças desse quebra-cabeça começam a se encaixar.

Todas as três passagens das Escrituras que lemos (1 Tessalonicenses, Mateus 24 e 1 Coríntios 15) estão descrevendo O MESMO EVENTO — que acontece na ÚLTIMA TROMBETA! Temos mais uma passagem para acrescentar a essa análise.

Paulo explicita que a transformação dos vivos e a ressurreição dos mortos ocorrem “ante a última trombeta”. Isso conecta diretamente 1 Tessalonicenses 4 com o toque da sétima trombeta em Apocalipse, que ocorre após a tribulação e o Dia do Eterno.

Apocalipse 20: A Primeira Ressurreição

Assim como Mateus 24 mostrou que os alarmantes sinais celestiais seguiriam a Tribulação, o livro do Apocalipse do mesmo modo apresenta esses acontecimentos (comparar Apocalipse 6:9-14). E Apocalipse mostra ainda que isso introduz o grande dia da ira de D´us (versículo 17), em outra passagem conhecido como o Dia do Eterno, que vai adicionar um ano mais à calamidade anterior (ver Isaías 34:8).

Em seguida, Apocalipse 8 e 9 descrevem seis grandes eventos que vão acontecer durante o Dia do Eterno — seguido de um sétimo em Apocalipse 11:15. Como mencionado antes, esses eventos são apregoados ao toque de sete trombetas. Na última, ou sétima trombeta, Yeshua será anunciado como novo governante do mundo e retorna para ressuscitar e reinar com Seus seguidores em Sião (Yisrael), onde será a capital do mundo.

Aqui está o que o apóstolo João foi inspirado a escrever em Apocalipse 20:4-6 sobre essa ressurreição no tempo do retorno de Yeshua:

“Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Yeshua e da palavra de D´us. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos.

Eles ressuscitaram e reinaram com Yeshua durante mil anos. (O restante dos mortos não voltou a viver até se completarem os mil anos). Esta é a primeira ressurreição. Felizes e santos (os que obedeceram aos mandamentos) os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de D'us e de Yeshua, e reinarão com ele durante mil anos”.

Observe que essa primeira ressurreição, que é apenas uma ressurreição, inclui todos os seguidores de Yeshua do passado bem como aqueles que são martirizados na época da Grande Tribulação. A ressurreição dos seguidores do Mashiach no tempo do fim não ocorre no período da tribulação final nem no Dia do Eterno — ela ocorre somente DEPOIS.

Todas as passagens que examinamos estão descrevendo os MESMOS EVENTOS. Aqueles que são arrebatados para encontrar com Yeshua no ar, em 1 Tessalonicenses 4, não podem preceder os que estão mortos, porque os mortos vão ressuscitar primeiro. Os mortos são ressuscitados, ao som da ÚLTIMA TROMBETA, quando Yeshua voltar APÓS o período da tribulação — e os crentes que estiverem vivos serão transformados no momento seguinte para fazer parte dessa mesma ressurreição.

Apocalipse confirma que a primeira ressurreição ocorre após a tribulação e o martírio dos santos, não antes. A sétima trombeta (a última) anuncia o reinado de Yeshua e a ressurreição dos justos, alinhando-se com Mateus 24, 1 Tessalonicenses 4 e 1 Coríntios 15.

Conclusão

Quando vemos essas escrituras, fica evidente que não há nenhum apoio bíblico para o arrebatamento pré-tribulacionista. Os seguidores de Yeshua serão arrebatados para encontrar-se com Ele nas nuvens e irão para Sião, mas isso vai ser DEPOIS da tribulação e das trombetas do Dia do Eterno, ao som da ÚLTIMA TROMBETA, quando todos os verdadeiros santos, que morreram ou ainda estejam vivos, serão transformados simultaneamente.

Essa trombeta sobrenatural providencia uma chave para entender os acontecimentos que levam ao retorno de Yeshua para estabelecer o reino de D´us. Os mortos em Yeshua ressuscitarão e Seus seguidores ainda vivos serão transformados e “arrebatados juntamente … nas nuvens”. No entanto, eles não vão ficar nas nuvens — nem vão regressar definitivamente para habitar no céu, como alguns imaginam. Como no casamento judaico o noivo se encontra com a noiva no caminho e juntos vão para o lugar do casamento, nesse caso será em Yerushalayim (Sião). Yeshua está vindo à Terra para salvar a humanidade e estabelecer o Reino de D´us sobre todas as nações. Esta é a esperança para todos aqueles que esperam Seu retorno!

Se você está esperando o retorno de Yeshua, é importante que entenda os grandes passos do plano de salvação de D´us, inclusive a ressurreição dos crentes em Sua segunda vinda. Assim, você não vai ficar decepcionado quando você e outros não forem arrebatados. Não deixe que um ensinamento antibíblico mine toda a sua fé e crença em D´us!

Felizmente, há muitas passagens que, ao se estudar cuidadosamente, mostram que D´us vai proteger o Seu povo nesses últimos e trágicos dias (Mateus 24:13; Lucas 21:36; Apocalipse 12:14) — mas essa proteção será aqui na Terra, enquanto aguardamos essa ditosa ascensão para nos encontrar com o nosso Salvador, que virá no fim dessa terrível época!

“Que vantagem há então em ser judeu, ou que utilidade há na circuncisão? Muita, em todos os sentidos! Principalmente porque aos judeus foram confiadas as Revelações do Eterno.”

Romanos 3:1

Vocabulário Técnico

  • Arrebatamento secreto (rapto secreto): Doutrina que ensina que Yeshua virá invisivelmente antes da Grande Tribulação para levar os crentes ao céu, deixando os demais na terra.
  • Pré-tribulação: Posição escatológica segundo a qual o arrebatamento ocorre antes do período de tribulação de sete anos.
  • Grande Tribulação: Período de sofrimento e juízo descrito em Mateus 24 e Apocalipse, que antecede a segunda vinda de Yeshua.
  • Última trombeta (sétima trombeta): Evento escatológico em Apocalipse 11:15 que anuncia o reinado de Yeshua e a ressurreição dos mortos.
  • Primeira ressurreição: Ressurreição dos justos descrita em Apocalipse 20:4-6, que ocorre no retorno de Yeshua para reinar por mil anos.
  • Yeshua (ישוע): Forma hebraica do nome conhecido em português como “Jesus”.
  • Haul Hashaliach (השליח): “O apóstolo”; referência a Paulo.
  • Kahal (קהל): Congregação ou assembléia; termo hebraico para igreja.
  • Dia do Eterno (Yom HaShem): Período de juízo divino descrito pelos profetas (Isaías, Joel, etc.).

Metatron, o Mensageiro de HaShem


Mishpatim: Metatron, o Mensageiro de HaShem

Resumo: Este artigo examina a figura de Metatron (o Mensageiro de HaShem) em Êxodo 23:20-21 e sua conexão com o princípio da agência (shaliach), explorando fontes rabínicas, o Zohar, a literatura Heikhalot e a tradição messiânica, incluindo a identificação de Yeshua como o Mensageiro Redentor.

O Mensageiro e o Nome em Êxodo 23

Na Parashat Mishpatim (Êxodo 21:1-24:18), temos um raro vislumbre do mundo espiritual. Êxodo 23 diz,

הִנֵּה אָנֹכִי שֹׁלֵחַ מַלְאָךְ לְפָנֶיךָ לִשְׁמָרְךָ בַּדָּרֶךְ וְלַהֲבִיאֲךָ אֶל-הַמָּקֹום אֲשֶׁר הֲכִנֹתִי: הִשָּׁמֶר מִפָּנָיו וּשְׁמַע בְּקֹלֹו אַל-תַּמֵּר בֹּו כּי לֹא יִשָּׂא לְפִשְׁעֲכֶם כִּי שְׁמִי בְּקִרְבֹּו

“Eis que envio um Mensageiro à tua frente, para te manter no caminho e para te levar ao lugar que te preparei. Cuidado com ele, e obedeça sua voz, não o provoque; porque ele não perdoará as vossas transgressões; porque o meu nome está nele ”.

Êxodo 23:20-21

Como Moshe Rabbeinu, um dos títulos deste Mensageiro é ‘Goel’ (Redentor). Lemos sobre ‘o Malakh HaGoel’, o Mensageiro Redentor, na bênção de Yaakov sobre Efraim e Menashe,

“Ele abençoou Yosef e disse: 'O D-us diante de quem meus pais Abraão e Isaque caminharam, o D-us que me alimentou por toda a minha vida até hoje, o Mensageiro que me redimiu de todo o mal, abençoe os rapazes e deixe meu nome seja nomeado neles, e o nome de meus pais Abraão e Isaque. Deixe-os crescer em uma multidão no meio da terra. ”

Gênesis 48:15-16

O livro de Isaías comenta,

בְּכָל־צָרָתָם לֹא לֹו צָר וּמַלְאַךְ פָּנָיו הֹושִׁיעָ֔ם בְּאַהֲבָתֹו וּבְחֶמְלָתֹו הוּא גְאָלָם וַיְנַטְּלֵם וַיְנַשְּׂני

“Em todas as suas aflições ele foi afligido, e o Mensageiro de Sua Presença os salvou, em seu amor e em sua piedade os redimiu, e os carregou e carregou todos os dias da antiguidade.”

Isaías 63:9

A frase “yemei olam” (dias da antiguidade) liga-se a Miquéias 5:2, onde fala das origens do Mashiach sendo os “dias da antiguidade”. Comentando sobre Isaías 63, R’ Yosef Hayyim de Bagdá (1832–1909), conhecido como o Ben Ish Chai, escreve:

“De acordo com a Massorá, o versículo deve ser lido לו, como acima, mas escrito לא. Em seguida, seria traduzido: Em todas as suas aflições, não há aflição (לא צר). A forma como o versículo é lido expressa a situação agora, durante o exílio de Israel. “Em todas as suas aflições, Ele é afligido” - onde quer que tenham sido exilados, a Presença Divina estava com eles (Meguilá 29a). A forma como o versículo é escrito descreve a situação no futuro. Naquela hora, entenderemos que em todas as suas aflições, na verdade não houve aflição, pois o sofrimento trouxe todo o maravilhoso bem da redenção. ”

Ben Ish Chai, Dias de Paz, Yeshivat Ahavat Shalom, pág. 169

R’ Yitzhak de Akko (século 13-14) diz:

“E, de fato, MoSheH é uma roda no céu e o segredo de Sandalphon [é uma roda] na terra.” [Ezequiel 1:15], ou seja, no [reino] da corporeidade. . . o segredo de MoSheH está ‘no céu’, a saber, na espiritualidade, ‘e o espírito de D-us paira sobre as águas’ [Gn 1:2] - este é o espírito do Messias [Gênesis Rabá 2:4] e é MoSheH o Sumo Sacerdote, ungido com óleo, a sagrada unção celestial, o verdadeiro Messias, que virá hoje se ouvirmos a voz de seu Mestre, cujo nome está nele, ele nos redimirá. E ‘Em todas as nossas aflições ele foi afligido, e o Mensageiro da face nos salvou’. [Is. 63:9]… e ‘E o espírito do Senhor repousará sobre ele’ [Isa. 11:2], aqueles e todos semelhantes a eles sugerem Metatron, o Príncipe da Face. ”

R’ Yitzchak de Akko, Sefer Otzar Chayyim 93a-b, citado em Messianic Mystics, Moshe Idel, Yale University Press, pág. 303

Esta seção estabelece que o Mensageiro de Êxodo 23 é identificado pela tradição como Metatron, portador do Nome divino, e conectado ao Mashiach como Redentor que partilha das aflições de Israel.

O que é um Mensageiro? A Lei do Shaliach

Para responder à pergunta sobre quem é este Mensageiro, primeiro devemos definir o que um “Mensageiro” realmente é. Na cultura inglesa e popular, a palavra “anjo” freqüentemente conota uma classe de seres alados espirituais criados, de aparência humana. A própria palavra “anjo” é a anglicização da palavra grega ἄγγελος (angelos). ‘Angelos’ é uma tradução direta da palavra hebraica מלאך (malach), que significa simplesmente “mensageiro”. Embora a palavra possa se referir a entidades espirituais, sua definição é mais ampla em hebraico. Pode referir-se a qualquer pessoa, humana ou não, que execute a tarefa de um agente mensageiro. Para entender a missão do anjo, deve-se entender o conceito da Lei do Arbítrio. O Talmud diz,

שלוחא דמלכא כמלכא
“O agente do governante é como o próprio governante.”

Baba Kama 113b, cf. Chagigah 10b, Nedarim 72b, Soncino Press Edition

A palavra para “agente” em hebraico é “shaliach”, que significa “enviado”. O shaliach atua como um representante do remetente (meshuleiach). Tractate Chagigah diz,

שלוחו של אדם כמותו
“O agente de um homem é como ele mesmo.”

Chagigah 10b, cf. Nedarim 72b, Soncino Press Edition

Yeshua elucida o princípio do Shaliach:

“Quem te recebe, a mim me recebe, e quem me recebe a mim, recebe Aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em nome de profeta, receberá a recompensa de profeta; e aquele que recebe um tzaddik em nome de um tzaddik receberá a recompensa de um tzaddik. ”

Mateus 10:40-41

O princípio do shaliach (agência) é fundamental: o enviado representa plenamente o remetente. O Mensageiro de HaShem, portanto, age com autoridade divina, e honrá-lo equivale a honrar a D-us.

O Anjo de Muitos Nomes: Metatron

Apresentemos o Mensageiro supremo, o primeiro representante de HaShem: Metatron. Rebbe Nachman explica,

“O Mensageiro Metatron é o shaliach de D-us, Seu agente encarregado deste mundo físico.”

Mayim, Breslov Research Institute, pg. 79

Rebbe Nachman diz em Likutey Moharan,

“Pois o nome [de Metat] é como o de seu Mestre, como está escrito (Êxodo 23:21) ‘porque meu nome está nele.’ Esta é a unificação inferior. Em outras palavras, o Santo, bendito seja Ele, veste-se em Metat durante os seis dias da semana e governa o mundo através dele. ”

Rebbe Nachman de Breslov, Likutey Moharan 11.5, Breslov Research Institute, pg. 183

O comentário de Breslov explica:

“O Shabat está em um nível muito mais alto de santidade do que nos dias de semana. É completamente sagrado, com as forças e qualidades negativas do mal, do mal, da falsidade, etc. não tendo lugar nele. Isso não é verdade nos dias de semana. Durante os seis dias da semana, predomina uma mistura de bem e mal, falso e verdadeiro, etc. Da mesma forma, D'us é, por assim dizer, completamente sagrado. O governo do mundo no Shabat está inteiramente sob sua jurisdição e domínio pessoal. No entanto, durante os dias de semana, D-us se veste com o Mensageiro Metat (Yevamot 16b, Tosafot; Zohar I, 126a). Por meio dele, D-us governa o mundo, não direta e abertamente, mas indiretamente através de um véu. Este distanciamento da santidade absoluta permite o surgimento de uma criação separada e até desprovida de D-us, que em última análise dá ao homem a máxima liberdade para servir a D-us por sua própria vontade ”.

Comentário sobre Likutey Moharan 11.5, Breslov Research Institute, pg. 183

O estudioso judeu Alan F. Segal escreve:

“O principal mediador celestial, a quem podemos chamar por uma série de termos - o vice-regente de D'us, seu Wazir, seu gerente - é facilmente distinguido da infinidade de criaturas divinas, pois o Mensageiro principal não é apenas a cabeça das hostes celestiais, mas às vezes participa do próprio ser ou divindade de D'us. Os rabinos mais frequentemente chamam o Mensageiro principal de D'us de Metatron. ”

Alan F. Segal, Paul the Convert, Yale University Press, pág. 43

O nome ‘Metatron’ é incomum e misterioso. R’ Moshe ben Menachem Graf de Praga (1678) escreveu um texto importante chamado Shivim Shemot de’Metatron, que diz:

“O leitor não deve dizer em seu coração que ‘somente estes são os nomes de Metatron, pois há ainda mais; pois esses são apenas os 70 nomes que Metatron, Sar ha-Panim revelou a R. Ishmael e os nomes restantes do Sar ha-Panim estão incluídos nos 70 nomes, de acordo com suas ações e seus feitos, como, por assim dizer com o Abençoado, toda a Torá é composta pelos nomes do Santo, e todos os nomes estão incluídos nos nomes conhecidos pelos sábios ... ”

R’ Moshe ben Menachem Graf, Shivim Shemot de-Metatron, citado em The Seventeenth Century Hebrew Book, pág. 995

Embora não fosse Masorah, o estudioso judeu do primeiro século Filo preservou uma tradição desse anjo e seus muitos títulos. Isso ilustra a antiguidade do conceito,

“E mesmo que ainda não haja alguém que seja digno de ser chamado de filho de D'us, não obstante, trabalhe arduamente para ser adornado de acordo com sua Palavra primogênita, o Mais Velho de seus Mensageiros, como o Grande Arcanjo de muitos nomes; pois ele é chamado, a Autoridade e o Nome de D'us, e a PALAVRA, o Homem de acordo com a imagem de D'us, e aquele que vê Israel. Por esse motivo, fui induzido há pouco a elogiar os princípios daqueles que disseram: ‘Somos todos filhos do mesmo homem.’ Pois mesmo que ainda não sejamos adequados para ser chamados de filhos de D'us, ainda assim podemos merecer ser chamados de filhos de sua Imagem Eterna, de sua PALAVRA mais sagrada; pois a Imagem de D'us é sua Palavra mais Antiga. ”

Philo, On the Confusion of Tongues 28

Para o público moderno, a palavra “Metatron” traz à mente robôs transformadores. Para a mente antiga, pode ter havido algumas possibilidades. Especulações de possíveis origens incluem: Latim: METATOR – MEDIADOR; Grego: META-TRONOS – ALÉM/AO LADO DO TRONO; Aramaico: METATOR – GUIA. O Ramban responde à questão da etimologia do nome,

“Este é o grande Mensageiro, que por causa dele é chamado de Matatron, o significado da palavra sendo ‘Guia do caminho’. Assim, os rabinos disseram na Sifre: ‘O Santo, bendito seja Ele, foi o mattatron (guia) de Moisés e mostrou-lhe toda a Terra de Israel.’”

Ramban, Êxodo 12, Bo, traduzido pelo Rabino C. Chavel, Shilo Publishing House, pg. 410-411, 413

שדי = מטטרון = 314 – A gematria de Metatron é igual ao Nome Divino “Shaddai”. A palavra Shin-Dalet-Yud forma um notarikon (acróstico) da frase “Shomer Daltot Yisrael,” Guardião das Portas de Yisrael.

Em uma declaração impressionante, o Zohar identifica Metatron como o Portão:

“E além disso, quem domina neste mundo o faz através dele, METATRON. E aqueles que são impedidos de governar caem por meio dele. Todos eles dependem desta escada, METATRON. Yud Hei Vav Hei domina todos eles. Como está escrito: ‘E, eis que Hashem estava acima disso.’ Quando ele acordou, está escrito: ‘esta não é outra senão a casa de Elohim, e esta é a porta do céu.’ Certamente, METATRON é a Casa de Elohim, O PORTÃO PELO QUAL SE PASSA PARA ENTRAR, como está escrito: ‘Abra para mim os portões da justiça, eu irei por eles e louvarei a Yah’ (Tehilim 118:19). E ‘esta é a PORTA de Hashem’ (Tehilim 118:20) é a PORTA do céu. E tudo é UM, o que significa que os portões da justiça, o portão de Hashem e o portão do céu são um, E ESSE É METATRON.”

Zohar, Vayetze, Zohar.com

Yeshua se identifica como a porta no livro de João:

“Eu sou a PORTA. Se alguém entrar por mim, será salvo, entrará e sairá e encontrará pasto ”.

João 10:9

Metatron é apresentado como o mediador principal, portador do Nome divino (Shaddai), o “Portão” do céu. Sua função é governar o mundo durante os dias de semana, sendo a “vestimenta” através da qual D-us age indiretamente.

O “Menor HaShem” e a Coroa do Messias

Um dos nomes de Metatron é o Menor Yud-Kei-Vav-Kei. Este título incomum é intrigante. Um texto chamado Sefer HaHeikhalot, frequentemente chamado de 3º Enoque, diz:

“R. Ismael disse: O Mensageiro Metatron, Príncipe da Presença Divina, disse-me: O Santo, bendito seja ele, revelou-me daquele tempo em diante todos os mistérios da sabedoria, todas as profundezas da Torá perfeita e todos os pensamentos dos corações dos homens. Todos os mistérios do mundo e todas as ordens da natureza estão diante de mim como são revelados diante do Criador. Daquele momento em diante, olhei e vi segredos profundos e mistérios maravilhosos. Antes que um homem pense em segredo, eu vejo seu pensamento; antes de ele agir, eu vejo seu ato. Não há nada no céu acima ou no fundo da terra escondido de mim. R. Ishmael disse: Metatron, Príncipe da Divina Presença, disse-me: Pelo amor que ele tinha por mim, mais do que por todos os habitantes das alturas, o Santo, bendito seja ele, fez para mim um manto majestoso, em que todos os tipos de luminárias foram colocadas, e ele me vestiu com isso. Ele moldou para mim um manto glorioso no qual o brilho, esplendor e lustre de todo tipo foram fixados, e ele me envolveu nele. Ele moldou para mim uma coroa real na qual 49 pedras refulgentes foram colocadas, cada uma como o orbe do sol, e seu brilho iluminou nas quatro partes do céu de ‘Arabot, nos sete céus e nas quatro partes do mundo. Ele o colocou sobre minha cabeça e me chamou de ‘O HaShem menor’ na presença de toda a sua casa na altura, como está escrito: ‘Meu nome está nele’.”

3 Enoque 11:1 – 12:5, The Old Testament Pseudepigrapha, pág. 268

Surpreendentemente, o Midrash diz que o MESSIAS recebe a Coroa de HaShem, Seu Manto e Seu Nome. O Midrash cita Jeremias 23 como prova de que o MESSIAS recebeu o Nome,

“Eis que dias vêm, diz Hashem, em que levantarei a Davi um Renovo justo, e ele reinará como rei e tratará com sabedoria, e executará justiça e retidão na terra. Em seus dias, Judá será salvo e Israel habitará seguro; e este é o nome pelo qual será chamado: HaShem, nossa justiça. ”

Jeremias 23:5-6

O Midrash Rabbah diz:

“Qual é o nome do Rei Messias? R. Abba b. Kahana disse: Seu nome é ‘o Senhor’; como está declarado, E este é o nome pelo qual ele será chamado, HaShem é a nossa justiça (Jr 23:6). Pois R. Levi disse: É bom para uma província quando seu nome é idêntico ao de seu rei, e o nome de seu rei idêntico ao de seu D-us. ”

Lamentations Rabbah 1:51, Soncino Press Edition

Sefer HaHeikhalot diz de Metatron,

“Quando o Santo, bendito seja ele, colocou esta coroa na minha cabeça, todos os príncipes dos reinos que estão nas alturas de ‘Arabot e todas as legiões de todos os céus tremeram de mim. . . Até ... o Príncipe dos Acusadores, que é maior do que todos os príncipes dos reinos que estão nas alturas, ficou com medo e estremeceu de mim. ”

3 Enoque 14:1-2, The Old Testament Pseudepigrapha, pág. 266

Na Pesikta Rabbati, um evento semelhante acontece quando o acusador (Satanás) vê o Messias,

“O que significa ‘em Tua luz vemos a luz’? Que luz é que a congregação de Israel espera como se fosse uma torre de vigia? É a luz do Messias, da qual se diz: ‘E D-us viu a luz que era boa’ (Gn 1:4). Este versículo PROVA QUE O SANTO, BENDITO SEJA ELE, CONTEMPLOU O MESSIAS E SUAS OBRAS ANTES QUE O MUNDO FOSSE CRIADO, E ENTÃO SOB SEU TRONO DE GLÓRIA COLOCOU AO LADO SEU MESSIAS ATÉ O TEMPO DA GERAÇÃO EM QUE ELE APARECERÁ. Satanás perguntou ao Santo, bendito seja Ele, para quem está a luz que foi posta sob o Teu trono de glória? D-us respondeu: Para aquele que te fará recuar e te envergonhar. Satanás disse: Mestre do universo, mostre-o para mim. D-us respondeu: Venha vê-lo. E quando ele o viu, Satanás foi abalado, e ele caiu sobre o rosto e disse: Certamente este é o Messias que fará com que eu e todas as contrapartes no céu dos príncipes das nações da terra sejam engolidos pela Geena ... ”

Pesikta Rabbati 36.1, traduzido por William G. Braude, Yale University Press, pgs. 677-678

Assim como a descrição de Metatron recebendo um manto glorioso, o mesmo acontece com Mashiach,

“O Santo, bendito seja Ele, colocará sobre Efraim, nosso verdadeiro Messias, uma vestimenta cujo esplendor fluirá desde o fim do mundo até o fim do mundo; e Israel usará a sua luz e dirá: Bendita a hora em que foi criado! Bendito seja o ventre de onde ele veio! Abençoada é a geração cujos olhos o contemplam! ”

Pesikta Rabbati 37.2, traduzido por William G. Braude, Yale University Press, pág. 689

Segal continua,

“Por causa dessa obediência, D'us exaltou YESHUA e deu a ele o ‘NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME’ (Fp 2:9). Para um judeu, essa frase só pode significar que YESHUA recebeu o nome divino [Yud-Kei-Vav-Kei], o tetragrama. . . Vimos que compartilhar o nome divino é um motivo recorrente do apocalipticismo judaico primitivo. . . ”

Alan F. Segal, Paul the Convert, Yale University Press, pág. 62

Não só o Messias recebe o nome acima de todos os nomes, mas também Jerusalém,

“Haverá dezoito mil juncos ao redor: e o nome da cidade daquele dia será: HaShem está lá.”

Ezequiel 48:35

Metatron é chamado de “Menor HaShem” porque porta o Tetragrama. O Messias igualmente recebe o Nome divino (Jeremias 23:6) e é exaltado com o nome sobre todo nome (Filipenses 2:9), conectando a figura de Metatron ao Mashiach.

Dois Metatrons: Superior e Inferior

Como se o conceito de Metatron já não fosse complexo o suficiente, é importante notar que não existe um, mas dois Metatrons! Gershom Scholem observa,

“Já é observado em Shi’ur Komah que o nome Metatron tem duas formas, ‘escrito com seis letras e com sete letras’, ou seja, מיטטרון e מטטרון ... os cabalistas consideravam as diferentes formas como significando dois protótipos para Metatron ... Eles identificaram o Metatron de sete letras com a emanação Suprema da Shekhinah, habitando desde então no mundo celestial, enquanto o Metatron de seis letras era Enoque, que ascendeu mais tarde ao céu e possui apenas um pouco do esplendor e poder do Metatron Primordial. Esta distinção já está subjacente à explicação dada por R. Abraham b. David para Berakhot. ”

Kabbalah, Gershom Scholem, pág. 380

O METATRON SUPERIOR ESTÁ LIGADO À ALMA DE MASHIACH BEN YOSEF, enquanto o Metatron Inferior é Enoch. As conexões entre os dois são numerosas. A Encyclopaedia Judaica diz,

“Duas tradições diferentes foram combinadas na figura de Metatron. Um se relaciona com um Mensageiro celestial que foi criado com a criação do mundo, ou mesmo antes, e o torna responsável por realizar as tarefas mais exaltadas no reino celestial. Esta tradição continuou a se aplicar depois que Jahoel foi identificado com Metatron. De acordo com essa tradição, a nova figura assumiu muitos dos deveres específicos do anjo Michael, uma ideia mantida em certas seções da literatura Heikhalot até e incluindo a Cabala. O Metatron primordial é conhecido como Metatron Rabba. Uma tradição diferente associa Metatron a Enoque, que ‘andou com D'us’ (Gênesis 5:22) e que ascendeu ao céu e foi transformado de ser humano em anjo - além disso, ele também se tornou o grande escriba que registrou as ações dos homens. ”

Encyclopaedia Judaica, Metatron

A que isso pode ser comparado? Ao relacionamento entre Moshe e Yehoshua, que eram como o sol e a lua. No futuro, a Luz do Sol (a Luz do Messias) será ampliada ao nível da Luz Oculta Primordial, e a Lua (a Luz da Noiva, Israel) será ampliada ao nível do sol,

“Além disso, a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sete vezes mais brilhante, como a luz de sete dias, no dia em que HaShem consertar a fratura de seu povo e curar a ferida com a qual eles foram atingidos. ”

Isaías 30:26

O livro de Zacarias diz:

“Naquele dia HaShem defenderá os habitantes de Jerusalém. Aquele que estiver fraco entre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como D-us, como o Mensageiro de HaShem antes deles ”.

Zacarias 12:8

João diz,

“Amados, agora somos filhos de D-us e ainda não foi revelado o que seremos. Mas sabemos que, quando ele for revelado, seremos como ele; porque nós o veremos como ele é. ”

1 João 3:2

Há dois Metatrons: o primordial (Metatron Rabba, ligado ao Mashiach ben Yosef) e o inferior (Enoque transformado). Essa dualidade reflete a relação entre o Messias celestial e o humano, que se unificam na redenção.

Pardes, Acher e a Ilusão da Dualidade

Paulo faz uma declaração incrível em suas cartas,

“Eu conheço um homem no Messias, quatorze anos atrás (seja no corpo, eu não sei, ou seja fora do corpo, eu não sei; D'us sabe), tal pessoa alcançou o terceiro céu. Eu conheço tal homem (seja no corpo, ou fora do corpo, eu não sei; D'us sabe), como ele foi arrebatado ao Paraíso e ouviu palavras indizíveis, que não é lícito para um homem proferir . ”

2 Coríntios 12:2-4

Em um paralelo incrível, o Talmud, no Tratado Chagigah 14b, afirma que havia quatro indivíduos que ascenderam ao céu,

“Nossos rabinos ensinaram: Quatro homens entraram no ‘Jardim’, ou seja, Ben Azzai e Ben Zoma, Aher e R. Akiba. R. Akiba disse a eles: Quando vocês chegarem às pedras de mármore puro, não digam ‘água, água!’ Pois está dito: ‘Aquele que fala mentiras não ficará estabelecido diante de meus olhos.’ Ben Azzai lançou um olhar e morreu. […] Ben Zoma olhou e ficou louco. […] Aher mutilou os brotos. R. Akiba saiu ileso ... Aher mutilou os brotos. Dele as Escrituras dizem: ‘Não permita que sua boca traga culpa à sua carne’. A que se refere? Ele viu que a permissão foi concedida a Metatron para sentar e escrever os méritos de Israel. Disse ele: É ensinado como uma tradição que no alto não há sentar e não há emulação, e nem costas, nem cansaço. ‘Talvez’, ‘D-us me perdoe!’, ‘Haja duas divindades!’ [Com isso] levaram Metatron adiante e o puniram com sessenta chicotadas de fogo, dizendo-lhe: ‘Por que não te levantaste diante dele quando o viste?’ ”

Chagigah 14b, Soncino Press Edition

Está além do escopo deste artigo (e do autor) elucidar o significado dessa passagem enigmática. Um traço comum neste relato é o conceito de “separação”. Não se deve dizer “água, água” que é para focar na dualidade, a separação das Águas Superiores e Águas Inferiores, que aludem ao Hei Superior e Hei Inferior do Nome de HaShem, que em toda a realidade é absolutamente Um. Rebbe Nachman aponta o erro de Acher (Elisha ben Abuyah),

“O Talmud afirma que Acher causou danos irreparáveis porque, como resultado de sua visão, ele questionou a essência de tudo - a unidade de D-us. . . Isso é o que Acher presumiu quando viu Metatron ‘sentado’. Acher deveria ter visto passada a ilusão, reconhecendo que a natureza não é mais do que Divina providência envolta em uma ‘cortina de separação’, mas ele não o fez. ”

Mayim, Rebbe Nachman, Breslov Research Institute, pg. 79

Sefer HaHeikhalot diz,

“R. Ismael disse: O Mensageiro Metatron, Príncipe da Presença Divina, a glória do mais alto céu, disse-me: No início me sentei em um grande trono na porta do sétimo palácio e julguei todos os habitantes das alturas na autoridade do Santo, bendito seja Ele. […] Mas quando ‘Aher veio ter a visão da carruagem e pôs os olhos em mim, ele ficou com medo e tremeu diante de mim. […] Ele abriu a boca e disse: ‘Existem realmente dois poderes no céu!’ Imediatamente, uma voz divina (bat kol) saiu da presença da Shekinah e disse: ‘Voltem para mim, filhos apóstatas - menos Aher!’ ”

3 Enoque 16:1-5, The Old Testament Pseudepigrapha, pág. 268

O Talmud registra um debate entre um min (herege) e R’ Idith,

“R. Nahman disse: Aquele que é tão hábil em refutar o Minim quanto é R. Idith, que o faça; mas não de outra forma. Certa vez, um Min disse a R. Idith: ‘Está escrito: ‘E a Moshe Ele disse: ‘Suba a HaShem.’ Mas certamente deveria ter declarado: ‘Suba a mim!’ ‘Foi Metatron [quem disse que]’, respondeu ele, ‘cujo nome é semelhante ao de seu Mestre, pois está escrito: ‘Pois meu nome está nele’. ‘Mas se for assim’, [ele replicou], ‘devemos adorá-lo!’ ‘A mesma passagem, no entanto,’ respondeu R. Idith ‘diz: Não seja rebelde contra ele, ou seja, não me troque por ele’. ”

Sanhedrin 38b, Soncino Press Edition

Metatron não é uma entidade separada e independente de HaShem. Como diz R’ Akiva, devemos ver além da ilusão da dualidade e perceber que tudo é Um. Por falar em ilusões de pluralidade, o livro de Daniel contém um versículo problemático,

“Eu olhei até os tronos serem colocados, e o Ancião dos Dias sentou-se, cuja vestimenta era branca como a neve, e os cabelos de sua cabeça como lã pura.”

Daniel 7:9-10

A palavra problemática é o plural “tronos”. Ironicamente, foi R’ Akiva quem sugeriu que a resposta era que o MESSIAS, como Metatron, se sentará no céu,

“Uma passagem diz: Seu trono era chamas de fogo, e outra passagem diz: ‘Até que os tronos fossem colocados, e um que era o Ancião de Dias se sentasse!’ Não há contradição: um [trono] para Ele e outro para Davi (esse é o Messias) – esta é a visão de R. Akiba. Disse-lhe R. José o Galileu: ‘Akiba, por quanto tempo vais tratar a Presença Divina como profana! ...’”

Chagigah 14a, Soncino Press Edition

Na verdade, ambas as posições estão corretas. É O MESSIAS QUE SE SENTA NO CÉU E ESCREVE OS MÉRITOS DE ISRAEL,

“R. Isaac comentou: […] No passado, quando um homem fazia uma boa ação, o profeta costumava registrá-la, mas agora se um homem fizer uma boa ação, quem a registra? Elias e o Rei Messias, o Santo, bendito seja Ele, assinando ao lado deles; de acordo com o que está escrito: ‘Então aqueles que temiam ao Senhor falaram uns aos outros; e o Senhor atentou e ouviu, e um livro de recordações foi escrito diante dele ...’ (Malaquias 3:16).”

Leviticus Rabbah 34:8, Soncino Press Edition

O Messias, que é o Cordeiro de Isaías 53, é o autor do Livro da Vida. Falando da Nova Jerusalém, o livro do Apocalipse diz:

“De maneira alguma entrará nele algo profano, ou causador de abominação ou mentira, mas apenas aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro.”

Apocalipse 21:27

A passagem de Pardes ensina que ver Metatron como uma divindade separada é um erro (Acher). Metatron é o “veículo” da unidade divina, não um segundo poder. O Messias, como Metatron, assenta-se no trono (Daniel 7) e escreve o livro dos méritos de Israel.

Perdão de Pecados e a Autoridade do Mensageiro

Uma das passagens mais controversas do Novo Testamento ocorre quando Yeshua perdoa os pecados de um paralítico,

“Eis que trouxeram-lhe um homem paralítico, deitado numa cama. Yeshua, vendo a fé deles, disse ao paralítico: ‘Filho, anime-se! Seus pecados estão perdoados.’ Eis que alguns dos escribas disseram a si mesmos: ‘Este homem blasfema’. Yeshua, conhecendo seus pensamentos, disse: ‘Por que vocês pensam mal em seus corações? Pois o que é mais fácil é dizer: ‘Seus pecados estão perdoados’ ou dizer: ‘Levante-se e ande?’ Mas para que você saiba que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados ...’ (então ele disse para o paralítico), ‘Levante-se, pegue sua esteira e suba para sua casa’.”

Mateus 9:2-6

É importante notar que a passagem em Êxodo parece implicar, por causa do Nome de HaShem habitar em Metatron, que ele tem autoridade para perdoar pecados. Se este não fosse o caso, seria supérfluo para a Torá até mesmo mencioná-lo. À primeira vista, alguns objetam a este conceito como sendo anti-judaico ou uma violação da Torá. O perdão dos pecados parece ser exclusivo de HaShem. No entanto, quando alguém pratica bitul (auto-anulação), alcançando humildade no serviço ao Criador, ele tem o potencial de se tornar um recipiente para trazer tikkun e a luz de HaShem para o mundo. Yeshua foi o melhor exemplo desse conceito. Baseando-se no conceito acima da lei do Shaliach, O MESSIAS FOI A EXTENSÃO DE HASHEM, a mão de D-us estendendo-se e tocando o paralítico. A prova diante dos olhos de todos foi que o homem pegou sua esteira e andou, e D-us foi glorificado.

Existem numerosos exemplos em que indivíduos como Moshe ou os juízes de Israel são chamados de “Elohim”. Eles merecem este título porque são Seus representantes e agem com Sua autoridade. Um exemplo disso em uma fonte judaica ocorre no Machzor para Rosh HaShaná,

“Que tudo te seja permitido, que tudo te seja perdoado, que tudo te seja permitido. Não existe nenhum voto, juramento, nazirismo, cherem, proibição, konam, ostracismo ou maldição. Mas existe perdão, disposição para perdoar e expiação. E assim como o tribunal terreno permite, que eles sejam permitidos no Tribunal Celestial. ”

Rosh HaShanah Machzor, Seder Hatarat Nedarim, K’hal Publishing, pág. 7

O princípio do shaliach (agência) fundamenta a autoridade do Mensageiro para perdoar pecados, pois ele age em nome de HaShem. Yeshua, como o Shaliach supremo (o Mensageiro de Êxodo 23), exerce essa autoridade, confirmando-a com milagres.

Yeshua no Machzor de Rosh HaShaná

No Machzor, um nome curioso aparece. No auge do serviço de Rosh HaShaná, na seção do TASHRAT (Tekiah, Shevarim, Teruah, ou seja, diferentes tipos de toques de shofar), há uma oração “yehi ratzon” (que seja sua vontade) que diz:

Yehi ratzon milefancha shet’kiat tashrat sh’anachnu tokim t’hei m’rukemet hai’reeah al yadei hammunah Tartiel k’shem sheqibalta al yad Eliyahu Z”L, viY’shua Sar HaPanim v’Sar MemTet. V’timeleh aleinu b’rachamim. Baruch atah HaShem, ba’al rachamim.

“Queira ser a sua vontade (diante de Ti) que o som do TASHRAT que sopramos seja tecido na cortina pela mão do ministro, Tartiel, como o nome que foi recebido pelas mãos de Eliyahu (sua memória seja uma bênção), e Yeshua, o Príncipe da Face, e Príncipe Metatron. E que você esteja cheio de misericórdia por nós. Abençoado é você, Mestre das misericórdias.”

Quem é “Yeshua, Príncipe da Face”? O blog judeu ortodoxo Emes v’Emunah escreve: “Não há anjo Yeshua. YESHUA É JESUS.” Por que o nome de Yeshua aparece neste ponto no serviço de Rosh HaShaná? O nome aparece em vários machzors, com pequenas variações da oração yehi ratzon. Emes Ve-Emunah observa o seguinte,

“A versão mais antiga que encontrei é a Machzor Kol Bo padrão, (Hebraic Publishing Co.) que nossos pais e avós usavam (com o Beis Yisroel Yiddish Teitch, provavelmente datando da década de 1920 ou antes). Também está no Kol Bo Rav Pnimim (Zigelheim 1951), no Oahr Chudush (1978), no Machzor Rabbah (Eshkol), na tradução para o inglês de Adler (por volta dos anos 1930). E está no Artscroll. Na versão Ashkenaz está na página 436 que tem a tradução em hebraico (Yud Shin Vav Ayin) e em inglês: YESHUA!”

No Soloveitchik Machzor da K’hal Publishing, eles traduzem “Yeshua” para o inglês, mas explicam de forma interessante a referência de “Yeshua” como se referindo ao Kohen Gadol do Tanakh,

“… o som será bordado à cortina [celestial] pelo anjo designado [טרטיא”ל], assim como Você aceitou orações por meio de Elias, que é eternamente lembrado; Yeshua (o Kohen Gadol), ministro da Câmara Interna; e o anjo ministrador [מ”ט]; e que você seja cheio de misericórdia para conosco. Bendito és Tu, Mestre das Misericórdias.”

Rosh HaShanah Machzor, Rabino Joseph B. Soloveitchik, K’hal Publishing, pg. 449

A presença do nome “Yeshua” no Machzor de Rosh HaShaná, associado a Metatron e ao Príncipe da Face, indica uma tradição judaica que reconhece Yeshua como uma figura celestial redentora, paralela ao Mensageiro de Êxodo 23.

Conclusão

É importante notar que os primeiros crentes em Yeshua viam a figura de Metatron como conectada ao Mashiach. Alan F. Segal escreve,

“Na Bíblia Hebraica, D'us às vezes é descrito na forma humana. Êxodo 23:21 menciona um mensageiro que tem a forma de um homem e que carrega consigo ou representa ‘o nome de D'us’. Uma figura humana no trono divino é descrita em Ezequiel 1, Daniel 7 e Êxodo 24, entre outros lugares, e foi combinada em uma imagem consistente de uma FIGURA MEDIADORA PRINCIPAL que, como o mensageiro de HaShem em Êxodo 23, incorporou, personificou ou carregava o nome de D'us, YHWH, o Tetragrammaton. Esta figura, elaborada pela tradição judaica, se tornaria uma metáfora central para O MESSIAS YESHUA no Cristianismo. ”

Paul the Convert, Alan F. Segal, Yale University Press, pág. 11

Segal continua,

“Yahoel aparece nos capítulos 10 e 11, onde é descrito como aquele ‘em quem habita o nome inefável de D'us.’ Outros títulos para esta figura incluíam Melquisedeque, Metatron, Adoil, Eremiel, e proeminentemente O FILHO DO HOMEM. […] esta figura celestial, a figura que a Bíblia às vezes chama de Kavod ou o Mensageiro principal de D'us, é pré-cristã e é um fator na descrição de Cristo por Paulo.”

Paul the Convert, Alan F. Segal, Yale University Press, pág. 42, 51

R’ Ariel bar Tzadok diz:

“MemTet (Metatron) governa sobre todo o universo de D'us, não apenas aqui no planeta Terra. Assim, quando Melekh HaMashiah vier, ele será a encarnação de MemTet. Como tal, ele servirá como regente de D'us sobre todo o universo e não apenas o rei aqui na terra. Mashiah será para HaShem o que Yosef foi para o Faraó no Egito.”

Identifying Shiloh – The Secret Soul of the Mashiah, Parashat Vayehi, 5762, Rabbi Ariel bar Tzadok, koshertorah.com

Isso indica que ele é o Mensageiro Redentor, aquele enviado para nos trazer de volta ao Jardim,

“Eis que envio um Mensageiro à tua frente, para te manter no caminho e para te levar ao lugar que te preparei. Cuidado com ele, e obedeça sua voz, não o provoque; porque ele não perdoará as vossas transgressões; porque o meu nome está nele ”.

Êxodo 23:20-21

Yeshua disse,

“Não deixe seu coração ser perturbado. Acredite em D-us. Acredite também em mim. Na casa de meu Pai há muitas casas. Se não fosse assim, eu teria te contado. Vou preparar um lugar para vocês. Se eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e os receberei para mim; para que onde eu estiver, você possa estar lá também. ”

João 14:1-3

Yeshua é o Shaliach, o Enviado de HaShem, que cumprirá a missão da Redenção reunindo os exilados na Terra, reconstruindo o Templo e inaugurando a Era de Paz definitiva. Assim como ele foi enviado como Representante de HaShem ao mundo, também Mashiach nos enviou, para sermos seus representantes, para nos tornarmos uma extensão da Luz Divina, para levar a Boa Nova ao mundo, como ele disse,

“Shalom seja com você. Assim como o Pai me enviou, eu também te envio. ”

João 20:21

Vocabulário Técnico

  • Metatron (מטטרון): Mensageiro celestial principal na tradição judaica, portador do Nome divino, também chamado de “Príncipe da Face” (Sar HaPanim) e “Menor HaShem”.
  • Shaliach (שליח): Agente ou enviado; princípio jurídico segundo o qual “o agente de um homem é como ele mesmo”.
  • Malakh (מלאך): Mensageiro; termo hebraico frequentemente traduzido como “anjo”, mas que pode se referir a qualquer enviado, humano ou celestial.
  • Sar HaPanim: Príncipe da Presença Divina; título de Metatron e também de Yeshua no Machzor.
  • Goel (גואל): Redentor; título do Mensageiro que resgata Israel.
  • Tzimtzum: Contração; conceito cabalístico da retirada da luz divina para criar espaço para o mundo.
  • Shin-Dalet-Yud (שדי): Nome divino Shaddai; sua gematria é 314, igual à de Metatron.
  • Acher (אחר): “O Outro”; apelido de Elisha ben Abuyah, que viu Metatron e caiu na heresia da dualidade.
  • Pardes (פרדס): “Jardim” ou “Orchard”; referência ao êxtase místico e à ascensão celestial.
  • Yeshua (ישוע): Forma hebraica do nome conhecido em português como “Jesus”. No Machzor de Rosh HaShaná, aparece como “Yeshua Sar HaPanim”.
  • HaShem (השם): Literalmente “o Nome”; forma reverente de se referir a D-us.